6.º Simpósio de Doenças Raras: Informação para o Gestor (Brasília, 2025)

Autores

  • Marcos Santos Presidente da Sociedade Brasileira de Auditoria Médica (SBAM)
  • Alexandre Pagnoncelli Cirurgião Cardiovascular e Endovascular, Consultor da Unimed Central RS, Coordenador do CT de BEM da Federação das Unimeds do RS
  • André Luiz Gumiero Unimed Central de Bens e Serviços, Unimed Anhanguera, Unimed Capivari, Gumiero Serviços Médicos
  • Goldete Priszkulnik Editora Chefe do Jornal Brasileiro de Auditoria em Saúde, Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Auditoria Médica (SBAM)
  • Joao Paulo Reis Neto Presidente da CAPESESP
  • Juliana Busch Diretora de Previdência e Assistência da CAPESESP
  • Rita Ferrúa Oncologista Pediátrica / Médica Auditora
  • Sérgio Antônio Dias da Silveira Junior Prevent Senior
  • Thaissa Daulis Perna Gerente Médica na Audicare Master, Diretora de Marketing e Eventos da SBAM
  • Wilson Follador Presidente do Capítulo ISPOR Brasil

DOI:

https://doi.org/10.66305/jbas.v6i1.39

Palavras-chave:

FDA, CONITEC , SUS, aprovação acelerada, incorporação de tecnologias, avaliação de tecnologias na saúde.

Resumo

Introdução: A via de Aprovação Acelerada (AA) da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA permite o acesso precoce a terapias para atender condições que ameaçam a vida, ou que não apresentam alternativas terapêuticas.  Com base em estudos em fase inicial ou que avaliam desfechos substitutos, essa aprovação acelerada acarreta um risco considerável de falha, com 12,8% das indicações (43 de 336) sendo eventualmente retiradas após os ensaios clínico confirmatórios não validarem o benefício clínico. Objetivo: Este estudo objetivou identificar e quantificar o desalinhamento regulatório dessas retiradas dentro do sistema de saúde tripartite do Brasil (ANVISA, CONITEC e ANS). Método:Utilizando uma análise comparativa e transversal de bancos de dados públicos, rastreamos o status regulatório e de reembolso das 43 indicações já retiradas pela FDA entre os anos de 1996 e 2024. Resultados: Os resultados revelam um descompasso sistêmico: 9 (20,9%) dessas indicações permanecem ativamente aprovadas nas bulas da ANVISA. Além disso, 8 dessas 9 indicações continuam na lista de cobertura obrigatória do Rol da ANS (saúde suplementar), e 1 indicação (gefitinibe) recebeu recomendação favorável de incorporação pela CONITEC (SUS) mais de um ano após sua retirada de bula pela FDA. Conclusão: Essa discrepância expõe os pacientes brasileiros a terapias ineficazes e gera profundas ineficiências alocativas nos setores público e privado. Concluímos que o Brasil necessita transitar de um modelo regulatório passivo para um sistema proativo de vigilância pós-comercialização, com um mecanismo integrado de reavaliação entre ANVISA, CONITEC e ANS.

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Publicado

09-06-2026

Como Citar

Santos, M., Pagnoncelli, A., Luiz Gumiero, A., Priszkulnik, G., Reis Neto, J. P., Busch, J., … Follador, W. (2026). 6.º Simpósio de Doenças Raras: Informação para o Gestor (Brasília, 2025). Jornal Brasileiro De Auditoria Em Saúde, 6(1), e2606015. https://doi.org/10.66305/jbas.v6i1.39