O descompasso regulatório: uma análise comparativa das aprovações aceleradas do FDA e suas implicações no sistema de saúde brasileiro
DOI:
https://doi.org/10.66305/jbas.v6i1.14Palavras-chave:
Aprovação acelerada, CONITEC, ANS, FDA, ANVISAResumo
A via de Aprovação Acelerada (AA) da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA permite o acesso precoce a terapias para atender condições que ameaçam a vida, ou que não apresentam alternativas terapêuticas. Com base em estudos em fase inicial ou que avaliam desfechos substitutos, essa aprovação acelerada acarreta um risco considerável de falha, com 12,8% das indicações (43 de 336) sendo eventualmente retiradas após os ensaios clínico confirmatórios não validarem o benefício clínico. Este estudo objetivou identificar e quantificar o desalinhamento regulatório dessas retiradas dentro do sistema de saúde tripartite do Brasil (ANVISA, CONITEC e ANS). Utilizando uma análise comparativa e transversal de bancos de dados públicos, rastreamos o status regulatório e de reembolso das 43 indicações já retiradas pela FDA entre os anos de 1996 e 2024. Os resultados revelam um descompasso sistêmico: 9 (20,9%) dessas indicações permanecem ativamente aprovadas nas bulas da ANVISA. Além disso, 8 dessas 9 indicações continuam na lista de cobertura obrigatória do Rol da ANS (saúde suplementar), e 1 indicação (gefitinibe) recebeu recomendação favorável de incorporação pela CONITEC (SUS) mais de um ano após sua retirada de bula pela FDA. Essa discrepância expõe os pacientes brasileiros a terapias ineficazes e gera profundas ineficiências alocativas nos setores público e privado. Concluímos que o Brasil necessita transitar de um modelo regulatório passivo para um sistema proativo de vigilância pós-comercialização, com um mecanismo integrado de reavaliação entre ANVISA, CONITEC e ANS.
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